Porque é que suprimir pensamentos sai ao contrário (o processo irónico)
Diz a alguém para não pensar num urso branco: a primeira coisa que a mente faz é um urso branco. A teoria do processo irónico de Wegner explica o ricochete.
"Não penses num urso branco." A primeira coisa que a tua mente faz: um urso branco. A teoria do processo irónico de Wegner explica o mecanismo desta estranheza: para suprimir um pensamento, a mente tem de manter um vigia — uma unidade que verifica sem parar "ainda estou a pensar nisso?". Mas a própria verificação mantém o alvo vivo. Suprimir não é uma forma de esquecer; é uma forma encoberta de lembrar continuamente.
Quando a carga sobe — cansaço, stress, noite — o vigia enfraquece e o pensamento suprimido ricocheteia com mais força. Quem jura "não vou pensar nela" depois da rutura e depois sonha com ela, quem faz dieta e vê a mente inundada de imagens de comida — a mesma lei em ação.
A alternativa não é render-se, é mudar a relação: dar nome ao pensamento, dar-lhe um lugar marcado de dez minutos por dia, deixá-lo passar sem luta quando chega. O que se suprime cresce; o que se permite, quase sempre, apaga-se.
Leitura relacionada: [Ruminação mental](/library/pt/ruminacao-mental)
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